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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Lu Ferreira responde Essena

Na ultima semana rolou um burburinho na imprensa internacional e nacional à respeito do desabafo da Instablogger Essena, que já contamos anteriormente aqui, e agora quem resolveu comentar o assunto e foi agraciada pelas palavras foi a blogueira Belo Horizontina, Lu Ferreira.

Post extraído do blog Chata de Galocha
Escrito por: Lu Ferreira
Não sei dizer quantas vezes vi o link da história da menina que cansou do Instagram e resolveu “desmascarar a farsa das redes sociais” ontem. Começou na segunda à noite, com os veículos gringos, e ontem de dia meu feed estava completamente lotado de links, com todos os veículos de notícias nacionais colocando o surto da garota como destaque. Minha reação a isso foi um pouco diferente da maioria… Enquanto os comentários que via nos portais e Facebook eram cheios de indignação e uma sensação de “é isso mesmo, tem que desmascarar!!”, por aqui eu fiquei com preguiça.

Primeiro porque não concordo com a garota. Não tenho 500 mil seguidores no Instagram como ela, mas tenho esse blog há 8 anos, mais de 360 mil seguidores no Instagram e 215 mil no Youtube. Não escondo de ninguém que ganho dinheiro com minhas redes sociais e que várias fotos do meu feed são anúncios, assim como alguns videos e posts aqui no blog. Mas desculpe, não dá pra manter uma farsa estando online em tantas redes assim e há tanto tempo, ninguém é tão boa atriz!
A garota editou as legendas das fotos para mostrar a realidade de cada uma: aqui murchei a barriga, aqui fiquei horas esperando a luz certa com o fotógrafo, aqui fui paga pra usar esse vestido… Bom, e isso é errado? Errado é ser paga pra usar o vestido e não contar que é um publi, o que parece que era a prática comum dela, mas ser paga para divulgar uma marca me faz ficar orgulhosa, não envergonhada. Esperar uma luz bonita para fazer uma foto ou encontrar uma pose que favoreça é falsidade desde quando? Na verdade acho é bem real, afinal somos humanos e queremos sim registrar o melhor de nós mesmos, lembrar de momentos bonitos. Não vejo sentido em compartilhar um registro de quando acordo de manhã com o cabelo zoado – se registro algo em foto é porque aquele momento é memorável, seja porque achei que minha maquiagem estava bonita no dia ou porque fui a um restaurante que gosto. O que não dá é pra olhar o feed de alguém e achar que a vida da pessoa se resume àquilo.

No início desse ano me perguntaram (sempre perguntam isso) se eu não achava que essa minha atividade me expunha demais… Eu respondi que não. A minha vida é editada, eu mostro o que quero mostrar, tanto que o mundo só descobriu minha gravidez quando estava na 16ª semana e resolvi contar. Não tenho a obrigação de me expor em rede alguma, e escolho usar cada uma como me convém. Não sou um reality show online e sinceramente não acho interessante quem mostra demais: não quero saber tudo da vida dos outros, quem tem tempo pra isso?

instagram

O Instagram é uma das minhas redes favoritas justamente porque acho que chegou num ponto em que ele é muito bem editado. No início a gente postava mais fotos randômicas por lá, sem pensar muito na qualidade, no ângulo, em nada. Era um grande mural. Agora com o Snapchat o Instagram acabou virando algo mais pensado (e menos atualizado, já notaram?) e mais bonito. E não sei qual a intenção de vocês ao abrir o Instagram, mas a minha é ver fotos bonitas, quase um Pinterest da vida real… Pia de louça pra lavar e cabelo zoado tem aqui em casa todo dia, não preciso ver a dos outros.
Achei a reflexão da garota bonitinha, coisa de adolescente. Ela parecia acreditar mesmo naquilo e o triste é perceber que ela fazia de tudo pra se encaixar num padrão que a fazia infeliz. O objetivo dela era ser famosa no Instagram, ela encontrou uma maneira pra isso e funcionou, mas depois que chegou lá não curtiu, porque pra isso acabou fingindo ser uma coisa que ela não era, e entendo perfeitamente que isso incomode. Mas isso não faz das redes sociais uma farsa – faz do feed dela uma farsa. E claro, devem ter vários assim – mas vocês são tão inocentes a ponto de acreditar? 
Antes de postar uma foto eu sei o quanto de engajamento ela vai ter. A experiência online me ensinou exatamente o que agrada o público e se eu quiser ter muitos likes numa foto, consigo montá-la pra isso. Mas eu não estou aqui pra agradar os outros. Estou aqui pra expor minha visão de mundo, minha opinião. E muitas vezes ela não é nada popular, mas não vou me moldar a um padrão por isso – eu venho antes de qualquer like, é uma questão de respeito comigo mesma.
Sabe quando você vai ao médico e folheia as revistas da recepção, esperando o tempo passar? Pois é, eu também quase não faço isso mais, geralmente fico vendo meu feed no Instagram. De vez em quando tem uma foto que chama a atenção, outras vezes um publi bonito que me faz querer saber mais sobre a marca ou o link para uma matéria legal… Mas redes sociais são só um passatempo, uma das várias fontes de informação e entretenimento. E como toda fonte de informação quem tem obrigação de olhar criticamente e filtrar é você – ou você acredita mesmo em tudo que lê no jornal ou vê na TV? 

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